Três semanas após prisão, João Lima segue detido no Presídio do Roger por denúncia de agressão contra ex-esposa

 João Lima, cantor paraibano, permanece detido há três semanas no Presídio do Roger, em João Pessoa, após ser preso no dia 26 de janeiro em razão de denúncia de violência doméstica feita pela ex-esposa, a médica Raphaella Brilhante. O artista aguarda análise de um habeas corpus protocolado pela defesa, mas o Ministério Público da Paraíba já se posicionou contra a concessão da liberdade provisória.

Desde a prisão, João Lima foi encaminhado ao pavilhão destinado a pessoas detidas por crimes relacionados à Lei Maria da Penha, onde há 60 presos. Nos primeiros cinco dias ele ficou em regime de “reconhecimento”, com isolamento; depois desse período passou a receber visitas, com cadastro realizado por um familiar e acesso também aos seus advogados.

Cantor afirma não lembrar das agressões

Em gravação de uma conversa telefônica, o cantor diz à ex-esposa que não tem memória dos episódios relatados por ela. Na ligação, Raphaella descreve dores físicas e cobra um pedido de desculpas que reconheça a gravidade das agressões. João Lima, em tom emotivo, afirmou não querer invalidar as declarações, mas declarou não recordar os fatos apontados.

A vítima, por sua vez, disse que as agressões não foram isoladas e relatou episódios desde o casamento, inclusive durante a lua de mel. Em um dos trechos do áudio, Raphaella menciona uma ocorrência após uma apresentação do cantor.

Como tramita o caso

O pedido de habeas corpus da defesa de João Lima foi protocolado em 30 de janeiro e ainda não teve o mérito analisado. O Ministério Público da Paraíba emitiu parecer contrário ao pedido, destacando preocupação com a gravidade e a continuidade das condutas apontadas. O relator do processo no Tribunal de Justiça da Paraíba será o desembargador João Benedito.

As investigações começaram após vídeos divulgados nas redes sociais mostrarem agressões, e a vítima registrou boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de João Pessoa. Conforme os autos, imagens de câmeras de segurança registraram, em 18 de janeiro, agressões que teriam incluído socos, apertos na mandíbula e amordaçamento para impedir que a mulher gritasse. A denúncia também aponta que, em determinado momento, o suspeito teria entregue uma faca à vítima e dito que ela deveria tirar a própria vida.

Três dias depois do episódio registrado em vídeo, segundo a denúncia, o cantor teria ido à casa da mãe de Raphaella e proferido ameaças de morte caso ela não retomasse o relacionamento ou se envolvesse com outra pessoa. A advogada da vítima, Dayane Carvalho, afirmou que não houve relatos de violência durante os dois anos de namoro, e que as agressões passaram a ser registradas após o casamento.

Raphaella Brilhante e João Lima se casaram em novembro de 2025, e, conforme o relato da vítima, as primeiras agressões ocorreram ainda na lua de mel, cinco dias após a cerimônia.

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