Um vídeo que circulou nas redes sociais neste sábado (14) mostra o homem apontado pela Polícia Civil da Paraíba como autor do assassinato da francesa Chantal Etiennette Dechaume, de 73 anos, confessando o crime. A gravação ganhou repercussão após a divulgação e, segundo investigadores, há indícios de que o material tenha sido produzido por integrantes de uma facção criminosa, antes de o suspeito também ser morto, em uma espécie de “tribunal do crime”.
A vítima foi encontrada morta dentro de uma mala e com o corpo carbonizado no bairro de Manaíra, em João Pessoa, no dia 10 de março. A identidade foi confirmada no dia 13, e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil como feminicídio.
De acordo com a investigação, o principal suspeito do homicídio era o companheiro da vítima, Altamiro Rocha dos Santos, natural de Canoas (RS). Ele foi encontrado morto dois dias depois, no bairro João Agripino, também na capital paraibana. A polícia apura as circunstâncias desse segundo crime.
Cronologia do crime
Imagens de câmeras de segurança ajudaram a polícia a reconstruir parte da sequência de acontecimentos que antecederam a descoberta do corpo.
Segundo a investigação, esse segundo suspeito teria aceitado incendiar o corpo em troca de drogas. Até o momento, ele não foi localizado.
Causa da morte
De acordo com o médico legista Flávio Fabres, do Instituto de Polícia Científica (IPC), a vítima morreu após golpes de objeto pontiagudo na região do tórax. O laudo indica que Chantal já estava morta antes de o corpo ser incendiado.
Moradores do prédio onde o casal estava hospedado relataram à polícia que sentiam um cheiro forte vindo do apartamento. O companheiro da vítima teria explicado aos vizinhos que o odor seria resultado da queima de couro utilizada na produção de artesanato.
Morte do principal suspeito
Na manhã do dia 12 de março, o corpo de Altamiro Rocha dos Santos foi encontrado no bairro João Agripino. Segundo a polícia, ele estava com mãos e pés amarrados e apresentava uma lesão profunda no pescoço.
A investigação trabalha com a hipótese de que a morte do suspeito esteja ligada a integrantes de uma facção criminosa, possivelmente motivados pela repercussão do crime e pela presença de policiais na região. Ninguém foi preso até o momento por esse segundo homicídio.
Quem era a vítima
Segundo a polícia, Chantal Etiennette Dechaume decidiu morar em João Pessoa após se aposentar. Ela teria conhecido Altamiro na orla da capital, onde ele vendia artesanato. Com o início da pandemia, a francesa o acolheu em sua residência, e os dois passaram a manter um relacionamento.
Registros administrativos da França indicam que Chantal atuou como enfermeira obstétrica no município de Cournonsec, na região de Hérault, no sul do país. O cadastro profissional mostra que ela mantinha uma empresa individual registrada desde 1982, classificada na atividade de “enfermeiros e parteiras”.
Esses registros apontam que a atividade foi encerrada em abril de 2019, indicando que a vítima já estava aposentada quando decidiu viver no Brasil.
Investigações continuam
A Polícia Civil da Paraíba considera que o homicídio de Chantal Dechaume está esclarecido, apontando o companheiro como autor do crime. No entanto, um inquérito segue em andamento para investigar a morte de Altamiro Rocha dos Santos e identificar o homem responsável por incendiar o corpo da vítima.
As autoridades também buscam esclarecer possíveis participações de outras pessoas e demais circunstâncias relacionadas ao caso.
0 Comentários