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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Como esperado, Trump é absolvido de impeachment no Senado e segue na Presidência

Em votação histórica que durou pouco mais de meia hora, a maioria dos senadores americanos votou, nesta quarta-feira (5/2), pela absolvição do presidente Donald Trump, que havia sofrido impeachment pela Câmara alguns meses antes. Com o desfecho, que já era esperado, Trump permanece na Presidência para disputar a reeleição em 3 de novembro.

No julgamento da primeira acusação (ou, no termo técnico, artigo de impeachment), 52 senadores votaram a favor de Trump, e eram necessários dois terços da Casa (67) para que ele fosse condenado e removido do cargo — os votos pela condenação foram 48. O placar foi semelhante na votação da segunda acusação: 53 a 47 em favor de Trump.

O processo de impeachment reforçou a polarização partidária nos EUA: enquanto a Câmara, de maioria democrata (oposição), defendeu a saída do presidente, o Senado, de maioria republicana (partido de Trump), o absolveu.

Trump era acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso.

A primeira acusação remete a um telefonema, em julho passado, entre Trump e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, indicando que o americano estava pressionando o líder da Ucrânia a investigar Joe Biden — pré-candidato democrata para a eleição de novembro — em troca de uma ajuda militar financeira americana.

Diferentes testemunhas ouvidas pela Câmara afirmaram que houve uma tentativa de pressionar os ucranianos, algo que Trump negou, dizendo-se vítima de uma "caça às bruxas" partidária.
Críticos afirmam que isso configura tentativa de influenciar as eleições americanas com a ajuda de um país estrangeiro.

Alguns senadores republicanos afirmaram publicamente considerar a conduta de Trump reprovável, mas não o suficiente para afastá-lo do cargo, preferindo a avaliação do povo americano nas urnas.
Um ponto importante, porém, é que o proeminente senador Mitt Romney votou a favor da condenação de Trump por abuso de poder, tornando-se o único republicano a defender a saída do presidente e contrariando a maioria de seu partido.

Antes da votação, ao explicar seu voto, Romney (que foi o candidato presidencial republicano na eleição de 2012) afirmou acreditar que Trump é "culpado de um estarrecedor abuso da confiança pública".

A segunda acusação da Câmara, de obstrução do Congresso, tentava imputar ao presidente uma suposta tentativa de dificultar as apurações legislativas sobre sua conduta. A acusação também foi rejeitada.

Pouco depois da votação, Trump não escreveu nada no Twitter, mas postou um vídeo que o mostra "em campanha para todas as eleições futuras".

Seu chefe da campanha de reeleição de Trump, Brad Parscale, afirmou em comunicado que "agora é hora de voltar ao negócio (relacionado) ao povo americano".

"Esse terrível suplício (do julgamento) sempre foi uma tática de campanha de invalidar os votos de 63 milhões de americanos em 2016 e um esforço de interverir na eleição de 2020", opinou.

Ao fim da sessão desta sexta, o líder republicano rasgou os artigos de impeachment e postou o vídeo no Twitter, em uma ironia com ato protagonizado na véspera pela líder democrata na Câmara Nancy Pelosi — que rasgou o discurso de Estado da União de Trump perante as câmeras.

Pelosi disse a repórteres que, independentemente do julgamento do Senado, Trump permaneceria "impichado por toda a vida" pela Câmara.

Trump é o terceiro presidente americano a passar pelo processo de impeachment. Antes dele, foram Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1998. Ambos sofreram o impeachment pela Câmara, mas depois foram absolvidos em seus julgamentos no Senado.

Polêmica das testemunhas

O Senado sinalizava pela absolvição do presidente desde o início do processo e isso foi reforçado na sessão de sexta-feira passada, quando a maior parte dos senadores votou contra a convocação de mais testemunhas no caso.

A principal testemunha que deixou de depor no Senado é o ex-conselheiro nacional de segurança republicano John Bolton, que, segundo relatos sobre seu livro prestes a ser lançado, tem afirmado que Trump, em maio de 2019, lhe disse diretamente que não liberasse ajuda militar de quase US$ 400 milhões à Ucrânia até que o governo ucraniano concordassem em investigar Biden e seu filho, Hunter.

Isso é central no debate em torno do impeachment, já que Trump é acusado de usar a ajuda militar em questão para pressionar o governo ucraniano a investigar um adversário eleitoral — o que, para críticos, configurou tentativa de interferência nas eleições americanas e abuso de poder.

Trump, em contrapartida, chamou de mentirosa a fala atribuída a Bolton.

Democratas, por sua vez, sinalizaram, ao final da sessão desta quarta, que pretendem intimar Bolton a depor mesmo com o fim do julgamento. "Quando se tem um presidente sem lei, é preciso trazer isso à frente", afirmou, segundo o The New York Times, o senador democrata Jerrold Nadler.

Já o advogado de Trump indicou, durante as sessões no Senado, que tudo que um presidente faz a serviço de sua própria reeleição pode ser considerado de interesse público e, portanto, não passível de impeachment.

A partir de agora, com a absolvição de Trump, a expectativa é de que tanto governistas quanto oposição voltem suas atenções à campanha eleitoral e às primárias democratas, que definirão o candidato a enfrentar o presidente nas urnas em 3 de novembro.

Diário da Paraíba com BBC

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